quinta-feira, 18 de julho de 2019

Para argumentar!

Surfamos a Internet, nadamos em revistas
A Internet empolga. Revistas envolvem.
A Internet agarra. Revistas abraçam.
A Internet é passageira. Revistas são permanentes.
E essas duas mídias estão crescendo.
Um dado que passou quase despercebido em meio ao barulho da Internet foi o fato de que a circulação de revistas aumentou nos últimos cinco anos. Mesmo na era da Internet, o apelo das revistas segue crescendo. Pense nisto: o Google existe há 12 anos. Durante esse período, o número de títulos de revistas no Brasil cresceu 234%. Isso demonstra que uma mídia nova não substitui uma mídia que já existe. Uma mídia estabelecida tem a capacidade de seguir prosperando, ao oferecer uma experiência única.
É por isso que as pessoas não deixam de nadar só porque gostam de surfar.
Imprensa, n. 267, maio 2011 (adaptado).

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Hora de acabar com os preconceitos linguísticos.

Manuel Bandeira

Para refletir!

A vida é um escárnio sem sentido,
Comédia infame que ensanguenta o lodo.
Há talvez um segredo que ela esconde;
Mas esse a morte o sabe e o não revela.
Os túmulos são mudos como o vácuo.
Desde a primeira dor sobre um cadáver,
Quando a primeira mãe entre soluços
Do filho morto os membros apertava
Ao ofegante seio, o peito humano
Caiu tremendo interrogando o túmulo...
E a terra sepulcral não respondia.
AZEVEDO, A de. Glória moribunda. Poesias completas, 1962. Fragmento.

Para argumentar!

Já na segurança da calçada, e passando por um trecho em obras que atravanca nossos passos, lanço à queima-roupa:
— Você conhece alguma cidade mais feia do que São Paulo?
— Agora você me pegou, retruca, rindo. Hã, deixa eu ver... Lembro-me de La Paz, a capital da Bolívia, que me pareceu bem feia. Dizem que Bogotá é muito feiosa também, mas não a conheço. Bem, São Paulo, no geral, é feia, mas as pessoas têm uma disposição para o trabalho aqui, uma vibração empreendedora, que dá uma feição muito particular à cidade. Acordar cedo em São Paulo e ver as pessoas saindo para trabalhar é algo que me toca. Acho emocionante ver a garra dessa gente.
MORAES, R. e LINSKER, R. Estrangeiros em casa: uma caminhada pela selva urbana de São Paulo. National Geographic Brasil. Adaptado.

terça-feira, 4 de junho de 2019

Para argumentar!

Governados pelo medo
A sensação de insegurança rege mercados e relações sociais. E ninguém parece ter controle sobre os perigos invisíveis que nos ameaçam. 
por Flávia Tavares
"Que computador foi danificado pelo sinistro 'bug do milênio'? Quantas pessoas você conhece que foram vítimas dos ácaros de tapete? Quantos amigos seus morreram da doença da vaca louca? Quantos conhecidos ficaram doentes ou inválidos por causa de alimentos geneticamente modificados?” Esta sequência de perguntas está no [...] livro do sociólogo polonês Zygmunt Bauman, Medo Líquido […]. A elas, ele não dá uma resposta, cumprindo apenas seu papel de provocador. Mas nem precisaria. Esse questionamento faz parte do que ele chama de “a era dos temores".
Foi esse temor, inclusive, o motor do abalo que atingiu as bolsas de valores do mundo inteiro esta semana. O medo de uma crise econômica se transformou na crise em si. E, enquanto o governo dos Estados Unidos não deu sinais de que tinha condições de amenizar o estrago, baixando os juros e lançando pacotes, o pânico se manteve. Para Bauman, este é um dos sinais de que estamos subjugados pelo medo: todas as situações que nos ameaçam parecem orientadas por poderes que nos fogem ao controle. […]
O Estado de S. Paulo, 27 jan. 2008.

Para argumentar!

O acesso à educação profissional e tecnológica pode mudar a vida de milhões de jovens em todo o país: há uma nova lei do estágio. Com a nova lei, o governo federal define o estágio profissional como ato educativo e determina medidas para que esta atividade contribua para familiarizar o futuro profissional com o mundo do trabalho. Entre as medidas estabelecidas, estão: a obrigatoriedade da supervisão por parte do professor da instituição de origem do estudante com o auxílio de um profissional no local de trabalho e a definição de jornada máxima de trabalho de quatro a seis horas.
Carta na Escola. Nº 32, dez. 2008/jan. 2009. Adaptado.

Para argumentar!

Um fenômeno importante que vem ocorrendo nas últimas quatro décadas é o baixo crescimento populacional na Europa, principalmente em alguns países como Alemanha e Áustria, onde houve uma brusca queda na taxa de natalidade. Esse fenômeno é especialmente preocupante pelo fato de a maioria desses países já ter chegado a um índice inferior ao “nível de renovação da população”, estimado em 2,1 filhos por mulher.
OLIVEIRA, P. S. Introdução à sociologia. São Paulo: Ática, 2004 (adaptado).

Para argumentar!

Nós, escravocratas
[...] Joaquim Nabuco reconhecia: “Acabar com a escravidão não basta. É preciso acabar com a obra da escravidão”, como lembrou na semana passada Marcos Vinicios Vilaça, em solenidade na Academia Brasileira de Letras. [...] Cem anos depois da morte de Joaquim Nabuco, a obra da escravidão se mantém e continuamos escravocratas.
Somos escravocratas ao deixarmos que a escola seja tão diferenciada, conforme a renda da família de uma criança, quanto eram diferenciadas as vidas na Casa Grande ou na Senzala. Somos escravocratas porque, até hoje, não fizemos a distribuição do conhecimento: instrumento decisivo para a liberdade nos dias atuais. Somos escravocratas porque todos nós, que estudamos, escrevemos, lemos e obtemos empregos graças aos diplomas, beneficiamo-nos da exclusão dos que não estudaram. Como antes, os brasileiros livres se beneficiam do trabalho dos escravos.
BUARQUE, C. Disponível em: http://oglobo.globo.com. Acesso em: 30 jan. 2000.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Realismo/Naturalismo

Você precisa saber:
Literatura e ciência

Em meio às transformações sociais da segunda metade do século XIX, com inúmeras descobertas científicas e tecnológicas, um mundo cada vez mais industrializado e com o acirramento da luta de classes, a literatura subjetiva e idealista do Romantismo começou a perder espaço.
A partir da publicação de Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert's (1821-1880), novos escritores adotam uma postura mais objetiva em relação aos textos literários, na tentativa de compreender melhor o novo mundo que se desenhava.
  • O Realismo corresponde à expressão literária predominante na segunda metade do século XIX, época em que prevaleceram os valores ideológicos que sustentaram a Segunda Revolução Industrial.
  • A literatura realista, ao adotar uma postura estética de valorização da objetividade crítica em oposição à subjetividade idealista, funciona como uma reação à sensibilidade romântica. Havia grande interesse dos escritores do período pela realidade social, e não mais pelas impressões individualizadas sobre essa realidade      
  • Dentre as principais características do Realismo, podemos citar: a valorização do cotidiano, a preferência pelos textos narrativos, o anticlericalismo e a antimonarquia.
  • O Realismo se inicia na França com Madame Bovary, de Gustave Flaubert, em 1857. De lá, espalhou-se para o resto do mundo. Esse romance apresentou criticamente (e pela primeira vez) um dos temas mais comuns do Realismo: o adultério feminino.
  • O Realismo se inicia em Portugal em 1865 com uma polêmica literária envolvendo partidários desse movimento e do Romantismo. O primeiro grupo foi liderado por António Feliciano de Castilho; o segundo, por Antero de Quental. Essa polêmica ficou conhecida como Questão Coimbrã.
  • Eça de Queirós é o principal nome da literatura portuguesa realista, provavelmente o principal romancista da história de Portugal. Ele se imortalizou com um estilo muito próprio, marcado pela caricatura, pelo senso de contrastes, pela ironia fina e pela crítica ora dura, ora suave em relação aos problemas sociais apontados pelos realistas.

  • A estética do Realismo começa a se configurar no Brasil na década de 1880, quando a sociedade brasileira passa por uma série de transformações político-sociais, com a abolição da escravatura (1888) e a Proclamação da República (1889).
  • Literariamente, o Realismo começa em 1881, com a publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e O mulato, de Aluísio Azevedo.
  • O Naturalismo foi uma vertente do Realismo que radicalizou os princípios dessa escola literária. O Naturalismo adota uma postura determinista e mecanicista para explicar o mundo. Os escritores naturalistas tiveram predileção por temas até então não explorados na literatura, como a miséria, os desvios patológicos, a loucura, o incesto e a homossexualidade. A linguagem empregada por eles não evita termos escabrosos, indecorosos, perfeitamente adequados à maneira como viam o mundo.
  • Aluísio Azevedo é o grande nome do Naturalismo no Brasil, autor de obras como Casa de pensão, O homem e O cortiço, seu romance mais importante, publicado em 1890.
  • O escritor mais importante de toda a literatura realista no Brasil, e seguramente o maior nome da literatura brasileira de todos os tempos, é Machado de Assis, escritor polígrafo, que se dedicou a vários gêneros literários, mas que se destacou com sua prosa de ficção, que inclui seus contos e seus romances.
  • A obra machadiana costuma ser dividida em duas fases. Na primeira, considerada “imatura”, mais próxima do Romantismo, Machado publica quatro romances: Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878). Na segunda, chamada de “madura”, ele incorpora em sua obra as principais características do Realismo, sem deixar de receber influências de outras escolas literárias, em romances como Memórias póstumas de Brás de Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1900), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908).  
  • O estilo machadiano, perceptível em suas obras da fase “madura”, caracteriza-se pela digressão, pela ousadia artística, pelo diálogo com o leitor, pelo pessimismo, pela ironia e pelo humor fino. Sem deixar de guiar-se pelos modelos consagrados da prosa em língua portuguesa, Machado soube ser inovador na medida certa.
Dica de Leitura:
↷ Livro de Poesia Rasgos da autora Aza Njeri.

Romantismo

⇒Você precisa saber:
 O caminho do Romantismo na Europa

  • O Romantismo reflete sobretudo a sensibilidade burguesa, inspirada pelos ideais libertários da Revolução Francesa (1789). A literatura romântica – ao valorizar a emoção, a criatividade e o desrespeito aos padrões de composição literária até então vigentes – funciona como uma reação aos valores clássicos.
  • Há três pilares que sustentam o Romantismo: nacionalismo, individualismo e liberdade. De maneira explícita ou não, os artistas do período celebram esses ideais.
  • O Romantismo inicia-se na Alemanha, com a obra de Goethe, chega à Inglaterra, com Byron, e daí à França, com Alexandre Dumas e Victor Hugo. É da França que o Romantismo se espalha pelo resto do mundo.
  • O Romantismo em Portugal nasce em meio a uma grande efervescência política, envolvendo partidários do Liberalismo burguês e do Absolutismo aristocrático. O primeiro autor de destaque do Romantismo português é Almeida Garrett. A consolidação do Romantismo português veio com Alexandre Herculano e a Revista Panorama (1837). Mas o nome mais conhecido do período em Portugal é Camilo Castelo Branco, célebre autor de novelas passionais, entre as quais merece atenção especial Amor de perdição, publicada em 1862.

O caminho do Romantismo no Brasil

  • O Romantismo é a primeira escola literária brasileira que surgiu após a Independência. Por isso, o nacionalismo, quase que naturalmente, tornou-se uma de suas principais características.
  • O movimento romântico inicia-se em 1836, com a publicação de Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães, na revista Niterói.
  • A poesia romântica brasileira costuma ser dividida em três fases, que constituem as três gerações românticas: a primeira é a indianista; a segunda, byroniana; a terceira, condoreira.
  • A geração indianista, de cunho altamente nacionalista, caracterizou-se pela idealização do índio e pela valorização da natureza, tendo seu ponto mais alto na obra do maranhense Gonçalves Dias, autor dos Os Timbiras (1857).
  • A geração byroniana, também conhecida como ultrarromântica, foi marcada pelos exageros individualistas, misturando tédio e referências à morte. O grande nome desta geração é o paulistano Álvares de Azevedo, autor de Lira dos vinte anos (1853).
  • A geração condoreira, ápice dos ímpetos libertários do Romantismo, deu grande espaço à poesia social, muitas vezes inspirada no anseio pela República e pela Abolição. O maior poeta condoreiro no Brasil foi o baiano Castro Alves, autor de Espumas flutuantes (1870).
  • A prosa romântica brasileira marca o surgimento do romance na literatura brasileira.
  • A maioria absoluta dos romances da época foi publicada de maneira fragmentada, em jornais da época, sob a forma de folhetins, o que dava características muito peculiares aos textos, como o fato de o narrador explicar a todo momento os desdobramentos da narrativa, ou de cada capítulo termina com um pequeno conflito não resolvido.
  • Os nomes mais importantes da prosa romântica brasileira são José de Alencar, autor de inúmeros romances (urbanos, indianistas, regionais e históricos), dentre os quais se destacam O Guarani, Diva, Lucíola, As minas de prata, Senhora, Iracema, Til e Ubirajara; e Manuel Antônio de Almeida, que escreveu o romance romântico excêntrico Memórias de um sargento de milícias.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Modernismo

⇒A Semana, o Modernismo e Mário⇐

Dá-se o nome de Modernismo ao movimento artístico do início do século XX que, influenciado pelas transformações filosóficas, científicas, políticas, sociais e econômicas que se processavam no mundo, rompeu de maneira ampla e sistemática com as tradições estéticas anteriores.

No Brasil, tudo começou em 1922, quando um acontecimento artístico chocou a burguesia paulistana, colocando o Brasil em consonância com o espírito revolucionário das vanguardas europeias. Trata-se da Semana de Arte Moderna, que aconteceu nas noites de 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo.

Artistas consagrados dividiram o palco com jovens talentos ainda desconhecidos. Assim, músicos, pintores, escultores, arquitetos, poetas e ensaístas, em meio a leituras de poesia, discursos, concertos, recitais, exposições, contribuíram para incendiar a cultura brasileira do início do século XX.

Tomando como ponto de partida a Semana de 22, costuma-se dividir didaticamente o movimento modernista brasileiro em três fases: de 1922 a 1930 temos a fase de implantação do movimento; de 1930 a 1945, a de consolidação; de 1945 em diante, a fase pós-modernista ou de “fragmentação” do movimento.

Influenciados pelo espírito contestador da Semana de 22, nossos primeiros modernistas fundaram revistas, escreveram manifestos, propuseram teorias estéticas. Não houve uniformidade entre as muitas propostas que surgiram, mas é possível apontar as seguintes características como as mais relevantes desse primeiro tempo: coloquialismo, prosaísmo, versilibrismo, nacionalismo crítico, síntese, humor. Os nomes mais importantes nessa fase foram Oswald de Andrade (1890-1954), Mário de Andrade (1893-1945) e Manuel Bandeira (1886-1968).

Mário de Andrade foi o grande ativista político-cultural do Modernismo, tendo feito de tudo um pouco: romance, poesia, crítica, conto, ensaio. Sua obra sugere que ele buscava as novidades artísticas da mesma forma que demonstrava conhecer as tradições literárias, o que confirma seu ecletismo cultural e artístico. As duas paixões de Mário foram a cidade de São Paulo e o Brasil. Pauliceia desvairada (1922), por exemplo, tematiza São Paulo; Macunaíma (1928), o Brasil.

Em Macunaíma, o narrador vai apresentando lendas folclóricas revisitadas e misturando gêneros literários, ao mesmo tempo que o protagonista, “o herói sem nenhum caráter”, é a representação de um povo ainda sem características próprias definidas, de um país em busca de sua identidade.

Diálogos do moderno

Vanguardas europeias:  No início do século XX, acentuaram-se as disputas políticas entre as nações europeias. Rivalidades locais e a concorrência por matérias-primas e mercados consumidores em outros continentes levaram à Primeira Guerra Mundial, que vitimou quase 20 milhões de pessoas.
Desde o final do século XIX, a arte vinha sendo renovada por experiências estéticas surpreendentes e desconcertantes, que promoviam alterações significativas nos padrões então vigentes.
Em 1907, surgiu o Cubismo, cuja proposta de ruptura radical com os conceitos de proporção e perspectiva exigia um público participativo, comprometido com a tarefa de reconstrução dos sentidos das imagens.
O Futurismo, nascido dois anos depois, valeu-se de uma arte agressiva para provocar público.
O Expressionismo, de 1910 retratou o declínio do mundo burguês, assumindo uma função politicamente combativa. Representava a realidade de maneira deformada.
O Dadaísmo, criado em 1916, usou a falta de significado como crítica radical à sociedade. Propunha a abolição da lógica. Os dadaístas consideravam a arte uma manifestação hipócrita em tempos de guerra.
A última vanguarda, o Surrealismo, surgiu após a Primeira Guerra, em 1924. Valorizavam a arte primitiva e procuraram libertar o indivíduo dos limites da vida prática.

A Literatura: As vanguardas caracterizavam-se pelo confronto com as estéticas tradicionais.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Literatura Portuguesa: das origens ao Classicismo

🔺Humanismo_contexto histórico e cultural:
O Humanismo situa-se ao longo do século XV e até o início do XVI. Esse período entre o pensamento religioso medieval e a revalorização da cultura da Antiguidade Clássica é marcado pela formação das cidades, pelo surgimento de uma nova classe (burguesia) e pelo questionamento do poder da Igreja sobre o Estado. As principais diferenças entre concepção medieval e a concepção moderna são as seguintes:
* O teocentrismo começa a ceder espaço ao antropocentrismo. A existência de Deus deixa de ser a explicação para a verdade, e a autonomia da razão se torna a princípio fundamental;
* A observação da natureza substitui explicações baseadas em elementos sobrenaturais, ligados à esfera divina;
* A inteligência humana se sobrepõe aos ensinamentos religiosos e  à dependência da revelação divina.
As mudanças promovidas pelos humanistas valorizam a cultura clássica. Assim, aos poucos, a produção cultural deixa de ser exclusividade da igreja e se aproxima da população em geral, favorecida pela invenção da imprensa por Gutenberg, em 1456, que facilitou e ampliou a circulação de produtos culturais durante o período.
Durante a vigência do Humanismo, é produzida a poesia palaciana, feita pelos aristocratas da corte, já independente da música. Ela pode ser dividida em esparsa, cantiga e vilancete. Notam-se temas especialmente ligados às experiências humanas, com o amor sensual.
Essa mesma tendência é vista na prosa historiográfica, que passa a considerar não apenas os atos de reis, mas igualmente as camadas populares e a burguesia como agentes da história das sociedades; e no teatro laico popular, que, com tom satírico aos costumes da época.

Literatura Portuguesa: das origens ao Classicismo

🔺Trovadorismo_contexto histórico e cultural:
O trovadorismo floresceu no período medieval (séculos V-XV) , que engloba eventos muitos diferentes entre si, como a queda do Império Romano em 476 d.C, a ascensão da Igreja católica, o feudalismo e o ressurgimento do modo de produção mercantil.
A literatura produzida no período distribuiu-se entre as novelas de cavalaria e a poesia trovadoresca.
As novelas de cavalaria foram influenciadas pelas cruzadas- guerras entre cristãos e muçulmanos motivadas pelo controle da terra santa da Jerusalém, ocorridas entre os séculos XI e XIII. Nesse contexto, consolida-se, no imaginário medieval, a figura do cavaleiro como encarnação de valores da nobreza. As novelas de cavalaria contribuem para a fixação dessa figura imaginário medieval.
Já a poesia trovadoresca recebeu  influências da literatura provençal (de Provença, região do sul da França) , caracterizada por ser cantada e por ter como tema predominante o sentimento amoroso. Era apresentada na corte ou em espaços públicos.

domingo, 27 de janeiro de 2019

Diversidade de gêneros

⇒Os gêneros correspondem a diversas modalidades da expressão literária, definindo diferentes maneiras de escrita.
A linguagem literária - assim como a ciência, a filosofia, a política e outras - constitui-se como meio que possibilita ao homem explicar o mundo que o cerca, interpretando-o e nele interferindo.

⇘Gêneros e sistemas literários: A escolha de um gênero no momento de criação não depende apenas da preferência do escritor. A produção de um texto literário está intimamente relacionada a um sistema literário. Em cada época histórica, elementos de caráter artístico, religioso, social, econômico, científico, entre outros, definem novas formas de representar e interpretar o mundo.
No final do século XVII, por exemplo, muitos escritores e pensadores da literatura e de outras artes passaram a questionar a validade de ideias herdadas dos gregos: os três gêneros poderiam sintetizar todas as probabilidades de uso da linguagem artística? Nessa época, surgiram outros gêneros, como tragicomédia e a poesia pastoral dramática. O homem havia mudado sua percepção com a tradição dos três gêneros.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Gêneros literários

⇒A primeira tentativa de sistematização das formas literárias teria sido feita pelo filósofo Aristóteles, por meio da observação dos elementos estáveis dos textos literários. Em sua obra Poética, Aristóteles descrevia seis formas literárias e detalhava três delas: a epopeia, a tragédia e a comédia.
Os pensadores da Antiguidade Clássica, com base nas lições deixadas por Aristóteles, passaram a se preocupar em organizar as várias expressões literárias em conjuntos de textos chamados gêneros, termo que remete a "linhagem, espécie, família".
O conceito de gênero literário se transformou ao longo da História. As categorias descritivas de Aristóteles serviram como base para outros estudiosos da literatura. Durante o Renascimento (séc. XIII a XVII), as teorias poéticas incluíram a poesia lírica entre as formas descritivas de Aristóteles. Assim, especialmente a partir do século XVIII, assumiu-se como divisão clássica da produção literária os gêneros épico, lírico e dramático.

→ Lírico: texto em que o "eu" vivencia e manifesta emoções; construção que explora o universo íntimo do ser humano. A subjetividade é sua característica marcante. Define-se pela expressão em primeira pessoa pessoa do singular localizada no presente.
→Dramático: as personagens, com palavras e gestos, apresentam um acontecimento localizado em um espaço específico. Utiliza o discurso direto sem mediação.
→Épico: texto criado a partir de uma estrutura narrativa de fundo histórico, Tem como assunto os feitos heroicos e os grandes ideais de um povo. Apresenta um narrados distante dos acontecimentos; esse distanciamento é necessário porque os fatos relatados já aconteceram. Como trata de eventos vivenciados por outros, o narrador se expressa na terceira pessoa do discurso.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Elementos da narrativa

⇒Ação, tempo e espaço:
O elemento central da narrativa é a ação, ou seja, um sequência de acontecimentos unidos por relações de causa e efeito que formam um enredo. Ela se desenvolve em determinado tempo e espaço, prosseguindo até o desfecho de um conflito, uma oposição entre duas forças ou personagens. Quando o conflito transcorre na menteda personagem, a ação é interior. Quando ocorre no embate entre uma personagem e uma força externa, tem-se a ação exterior.

⇒Ponto de vista:
É possível contar uma história na primeira ou na terceira pessoa. A escolha da posiçãoem que o narrador se situa em relação à história torna o texto único em relação aos demais.

   Narrador-personagem: participa da história e narra em primeira pessoa.

   Narrador-observador: observa a história e descreve os fatos.

   Narrador-onisciente: quando não participa dos acontecimentos, mas sabe tudo que passa na história. *não se refere ao autor.

⇒Héroi e anti-herói:
A figura do herói tem origem na Antiguidade grega. O herói era valoroso que vencia os obstáculos da natureza. Nas narrativas modernas, o herói é uma pessoa comum que tenta superar sua dificuldades e tenta afirma sua identidade.
Esse tipo de herói permaneceu até meados do século XIX quando  herói perde sua força física e moral. Historicamente coincide com a ascensão da burguesia na Europa, quando as classes sociais passam a ser representadas na literatura.

*Pesquise sobre paródias...☺

Linguagem literária

⇒Aspectos da linguagem literária:
A literatura está presente no cotidiano de diversas maneiras. Além de ser parte de ações rotineiras e de momentos de lazer em diferentes fases da vida, a literatura também é objeto de estudo nas escolas e nas universidades, podendo ser abordada em diferentes contextos e perspectivas.

⇒Verso e prosa:
Prosa e poema são duas possíveis formas de construção de um texto literário, das quais "nascem", por exemplo, o conto, a crônica, um poema-narrativo...
A Poesia não se limita ao texto escrito, mas faz parte de várias manifestações culturais.
O Poema é composto de versos e estrofes, já a prosa se organiza em orações, períodos e parágrafos. Outra característica que os distingue é a utilização de linhas breves, no caso do poema, e linhas longas, no caso dos textos literários em prosa.
O poema, especificamente, explora a entonação das palavras, que também pode ser percebida na prosa. Mas caso fosse possível estabelecer uma escala contínua entre a prosa e o poema, esse aspecto estaria mais próximo do poema.
A narratividade, isto é, o desenvolvimento de uma ação no tempo e no espaço, não é característica única da prosa. Ela também está presente em muitos poemas.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Criação literária

⇒Literatura e realidade:
Como as demais formas de arte, a literatura cria modos de representação do mundo e do ser humano. Há obras que correspondem de maneira mais direta a objetos, fenômenos, pessoas e acontecimentos do mundo. Seu univeso ficcional, assim, é mais próximo da realidade. Já outras distanciam-se d mundo real e propõem novas realidades. Portanto, a literatura é uma representação da realidade, feita com base na criatividade imaginação.
É possível estabelecer ligações entre essa representação e os elementos do mundo exterior, por meio da leitura interpretativa da obra.
⇨ Leia: A rosa de Hiroxima de  Vinicius de Moraes.

⇒Verossimilhança:
Um conceito muito importante para os estudos literários e ligado à relação entre realidade e obra de arte é a verossimilhança. No universo da ficção, verossímil é aquilo que, no conjunto da obra artística, se relaciona de modo coerente para a produção de sentidos. Diferentemente da noção de "verdade" ou de "verdadeiro", na literatura o verossímil está ligado à coerência interna da obra de arte. (Coleção Ser Protagonista. Editora SM. Edição 2016)

 Texto ficcional e não ficcional:
Uma das marcas da literatura contemporânea é a mistura de fatos/personagens inventados com acontecimentos reais ou autobiográficos. Essa mescla ocorre principalmente nos gêneros em prosa.
Comumente, o que diferencia um texto ficcional de outro não ficcional é o fato de, no texto ficcional, o autor criar um mundo imaginário. No texto não ficcional, há uma história vivida e relatada por uma pessoa.
⇨Leia: O filho eterno de  Cristovão Tezza.
⇨Assista: Jogo de Cena

⇒Obra aberta:
A obra de arte ultrapassa seu autor e pode abranger leitores de diferentes épocas e lugares, ganhando sentidos diversos de acordo com os novos contextos, Uma obra literária, nesse sentido, estabelecer relações múltiplas com a realidade, dependendo de quem lê, quando e onde se lê.
A leitura de um texto literário pode mobilizar ideias, sensações e sentidos diversos em diferentes leitores.
Ao entrar em contato com o texto literário, o leitor passa a participar de um jogo interpretativo, pois deve buscar um sentido com base nas referências explícitas e implícitas presentes no texto.

Sistema Literário

O leitor comum geralmente lê uma narrativa, uma peça teatral ou um poema, por exemplo, sem necessariamente se questionar sobre quais relações existem entre esses e outros textos. No entanto, a obra literária sempre dialoga com as obras produzidas em momentos anteriores, seja para reafirmá-las, seja para negá-las ou reinventá-las. Alguns temas, gêneros e formas são recuperados e revalorizados ou descartados em noe de novas necessidades de expressão. (Livro didático. Coleção Ser Protagonista. Editora SM. Edição2016).
 Na literatura, um período da criação de obras, é conhecido como vertente. E quando fala-se de relações de diálogo entre textos, é importante entender que em alguns casos a vertente posterior "quebra" a mensagem passada pela vertente anterior. Exemplo: o realismo "quebra" o subjetivismo do romantismo. Porém, há vertentes posteriores que reforçam vertentes anteriores. Exemplo: o parnasianismo reforça o objetivismo do realismo.

⇒O sistema literário é constituido pela relação:
                           Autor↷obra↷leitor
                                                             ⇓
Permite a compreensão que um texto literário não é um objeto/fato isolado, criado a partir do nada. Ao escrever um texto, um escritor passa a pertencer a um universo no qual circulam outros escritores, que vivem ou não em seu tempo e lugar. A obra passa a ser incluída a uma vertente.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

Funções da Literatura

A discussão sobre o papel da arte, se ela tem um compromisso com a crítica social ou, inversamente, é um fim em si mesma (e não um meio para atingir outra finalidade) encontra diferentes respostas em cada época e varia de acordo com o meio social.
O mesmo ocorre com a literatura (lembrando que a literatura se mescla com a arte plástica, cênica...). Uma vez que a obra literária só existe como objeto social, que se completa na leitura e na interação com o leitor, a "função" da literatura depende daquilo a que o leitor se propõe. Algumas das funções desempenhadas pela literatura ao longo do tempo é modo de reconhecer seu poder transformador.

⇒ Literatura como denúncia social:
 A literatura exerce um caráter realista, mostrando as mazelas e cruezas, vividas por determinadas pessoas/animais/meio ambiente. ⇒Literatura como investigação psicológica:
Propõe reflexões contraditórias do ser humano, sobre suas motivações diante de fatores históricos/culturais/sociais e suas consequências
⇒Literatura como entretenimento:
Cumpre a função de dar ao leitor a oportunidade de passar o tempo de forma prazerosa.
⇒Literatura como direito:
Antonio Candido (crítico literário) defende em seu texto O direito à Literatura, que a literatura é parte indispensável da "humanização" do homem, devendo ser entendida como um "direito incompressível", que não pode ser negado a ninguém.

Função da literatura
                compreensão psicológica↵↳denúncia social
                        entreter↲↳direito de exercer sua humanidade

Experiências de leitura

I. Ao encontro da literatura:
⇒Por que ler literatura?
Ao ler literatura, é possível ver e compreender a realidade de uma maneira diferente, bem como mudar a percepção sobre si mesmo e sobre aquilo que está ao nosso redor.
⇒ Indicação de leitura:

  • MORAES, Vinicius de. Menino de ilha. In: WERNECK, Humberto (org). Boa companhia: crônicas. São Paulo: companhia das letras.

II. Literatura e criação
 ⇒ A literatura, assim como as demais artes, expressa dilemas, os sentimentos e as vivências humanas. 
     A criação literária, diferentemente do que se acha, não é resultado de um momento de inspiração ou domínio das técnicas de escrita. Faz parte da criaçã a representação de problemas sociais e determinadas práticas liberdade, opressão e expressão. Pode-se afirmar que o texto literário "dialoga" com o espaço, com as situações sociais, políticas e culturais relacionadas aos contextos em que circula. Exemplo: o documentário Ilha das Flores, que busca nos fazer refletir sobre o consumismo, produção de lixo, desigualdade social...
  A literatura ainda explora as dimensões mais íntimas do homem, suas crenças e incertezas, seu ego e suas atitudes diantes dos impasses do mundo que o cerca.
 A obra literária pode ser considerada uma exposição de situações passíveis de serem compartilhadas entre o escritor e o leitor. Portanto, o texto literário é tanto registro de uma experiência singular quanto uma experiência coletiva. 
                                        Escritor
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utiliza-se da linguagem para mostrar ou evidenciar a condição humana.

⇒Assista:
  • Emak-Bakia. Curta-metragem. Direção de Man Ray.