segunda-feira, 22 de abril de 2019

Realismo/Naturalismo

Você precisa saber:
Literatura e ciência

Em meio às transformações sociais da segunda metade do século XIX, com inúmeras descobertas científicas e tecnológicas, um mundo cada vez mais industrializado e com o acirramento da luta de classes, a literatura subjetiva e idealista do Romantismo começou a perder espaço.
A partir da publicação de Madame Bovary (1857), de Gustave Flaubert's (1821-1880), novos escritores adotam uma postura mais objetiva em relação aos textos literários, na tentativa de compreender melhor o novo mundo que se desenhava.
  • O Realismo corresponde à expressão literária predominante na segunda metade do século XIX, época em que prevaleceram os valores ideológicos que sustentaram a Segunda Revolução Industrial.
  • A literatura realista, ao adotar uma postura estética de valorização da objetividade crítica em oposição à subjetividade idealista, funciona como uma reação à sensibilidade romântica. Havia grande interesse dos escritores do período pela realidade social, e não mais pelas impressões individualizadas sobre essa realidade      
  • Dentre as principais características do Realismo, podemos citar: a valorização do cotidiano, a preferência pelos textos narrativos, o anticlericalismo e a antimonarquia.
  • O Realismo se inicia na França com Madame Bovary, de Gustave Flaubert, em 1857. De lá, espalhou-se para o resto do mundo. Esse romance apresentou criticamente (e pela primeira vez) um dos temas mais comuns do Realismo: o adultério feminino.
  • O Realismo se inicia em Portugal em 1865 com uma polêmica literária envolvendo partidários desse movimento e do Romantismo. O primeiro grupo foi liderado por António Feliciano de Castilho; o segundo, por Antero de Quental. Essa polêmica ficou conhecida como Questão Coimbrã.
  • Eça de Queirós é o principal nome da literatura portuguesa realista, provavelmente o principal romancista da história de Portugal. Ele se imortalizou com um estilo muito próprio, marcado pela caricatura, pelo senso de contrastes, pela ironia fina e pela crítica ora dura, ora suave em relação aos problemas sociais apontados pelos realistas.

  • A estética do Realismo começa a se configurar no Brasil na década de 1880, quando a sociedade brasileira passa por uma série de transformações político-sociais, com a abolição da escravatura (1888) e a Proclamação da República (1889).
  • Literariamente, o Realismo começa em 1881, com a publicação de Memórias póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e O mulato, de Aluísio Azevedo.
  • O Naturalismo foi uma vertente do Realismo que radicalizou os princípios dessa escola literária. O Naturalismo adota uma postura determinista e mecanicista para explicar o mundo. Os escritores naturalistas tiveram predileção por temas até então não explorados na literatura, como a miséria, os desvios patológicos, a loucura, o incesto e a homossexualidade. A linguagem empregada por eles não evita termos escabrosos, indecorosos, perfeitamente adequados à maneira como viam o mundo.
  • Aluísio Azevedo é o grande nome do Naturalismo no Brasil, autor de obras como Casa de pensão, O homem e O cortiço, seu romance mais importante, publicado em 1890.
  • O escritor mais importante de toda a literatura realista no Brasil, e seguramente o maior nome da literatura brasileira de todos os tempos, é Machado de Assis, escritor polígrafo, que se dedicou a vários gêneros literários, mas que se destacou com sua prosa de ficção, que inclui seus contos e seus romances.
  • A obra machadiana costuma ser dividida em duas fases. Na primeira, considerada “imatura”, mais próxima do Romantismo, Machado publica quatro romances: Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878). Na segunda, chamada de “madura”, ele incorpora em sua obra as principais características do Realismo, sem deixar de receber influências de outras escolas literárias, em romances como Memórias póstumas de Brás de Cubas (1881), Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1900), Esaú e Jacó (1904) e Memorial de Aires (1908).  
  • O estilo machadiano, perceptível em suas obras da fase “madura”, caracteriza-se pela digressão, pela ousadia artística, pelo diálogo com o leitor, pelo pessimismo, pela ironia e pelo humor fino. Sem deixar de guiar-se pelos modelos consagrados da prosa em língua portuguesa, Machado soube ser inovador na medida certa.
Dica de Leitura:
↷ Livro de Poesia Rasgos da autora Aza Njeri.

Romantismo

⇒Você precisa saber:
 O caminho do Romantismo na Europa

  • O Romantismo reflete sobretudo a sensibilidade burguesa, inspirada pelos ideais libertários da Revolução Francesa (1789). A literatura romântica – ao valorizar a emoção, a criatividade e o desrespeito aos padrões de composição literária até então vigentes – funciona como uma reação aos valores clássicos.
  • Há três pilares que sustentam o Romantismo: nacionalismo, individualismo e liberdade. De maneira explícita ou não, os artistas do período celebram esses ideais.
  • O Romantismo inicia-se na Alemanha, com a obra de Goethe, chega à Inglaterra, com Byron, e daí à França, com Alexandre Dumas e Victor Hugo. É da França que o Romantismo se espalha pelo resto do mundo.
  • O Romantismo em Portugal nasce em meio a uma grande efervescência política, envolvendo partidários do Liberalismo burguês e do Absolutismo aristocrático. O primeiro autor de destaque do Romantismo português é Almeida Garrett. A consolidação do Romantismo português veio com Alexandre Herculano e a Revista Panorama (1837). Mas o nome mais conhecido do período em Portugal é Camilo Castelo Branco, célebre autor de novelas passionais, entre as quais merece atenção especial Amor de perdição, publicada em 1862.

O caminho do Romantismo no Brasil

  • O Romantismo é a primeira escola literária brasileira que surgiu após a Independência. Por isso, o nacionalismo, quase que naturalmente, tornou-se uma de suas principais características.
  • O movimento romântico inicia-se em 1836, com a publicação de Suspiros poéticos e saudades, de Gonçalves de Magalhães, na revista Niterói.
  • A poesia romântica brasileira costuma ser dividida em três fases, que constituem as três gerações românticas: a primeira é a indianista; a segunda, byroniana; a terceira, condoreira.
  • A geração indianista, de cunho altamente nacionalista, caracterizou-se pela idealização do índio e pela valorização da natureza, tendo seu ponto mais alto na obra do maranhense Gonçalves Dias, autor dos Os Timbiras (1857).
  • A geração byroniana, também conhecida como ultrarromântica, foi marcada pelos exageros individualistas, misturando tédio e referências à morte. O grande nome desta geração é o paulistano Álvares de Azevedo, autor de Lira dos vinte anos (1853).
  • A geração condoreira, ápice dos ímpetos libertários do Romantismo, deu grande espaço à poesia social, muitas vezes inspirada no anseio pela República e pela Abolição. O maior poeta condoreiro no Brasil foi o baiano Castro Alves, autor de Espumas flutuantes (1870).
  • A prosa romântica brasileira marca o surgimento do romance na literatura brasileira.
  • A maioria absoluta dos romances da época foi publicada de maneira fragmentada, em jornais da época, sob a forma de folhetins, o que dava características muito peculiares aos textos, como o fato de o narrador explicar a todo momento os desdobramentos da narrativa, ou de cada capítulo termina com um pequeno conflito não resolvido.
  • Os nomes mais importantes da prosa romântica brasileira são José de Alencar, autor de inúmeros romances (urbanos, indianistas, regionais e históricos), dentre os quais se destacam O Guarani, Diva, Lucíola, As minas de prata, Senhora, Iracema, Til e Ubirajara; e Manuel Antônio de Almeida, que escreveu o romance romântico excêntrico Memórias de um sargento de milícias.

terça-feira, 9 de abril de 2019

Modernismo

⇒A Semana, o Modernismo e Mário⇐

Dá-se o nome de Modernismo ao movimento artístico do início do século XX que, influenciado pelas transformações filosóficas, científicas, políticas, sociais e econômicas que se processavam no mundo, rompeu de maneira ampla e sistemática com as tradições estéticas anteriores.

No Brasil, tudo começou em 1922, quando um acontecimento artístico chocou a burguesia paulistana, colocando o Brasil em consonância com o espírito revolucionário das vanguardas europeias. Trata-se da Semana de Arte Moderna, que aconteceu nas noites de 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, no Teatro Municipal de São Paulo.

Artistas consagrados dividiram o palco com jovens talentos ainda desconhecidos. Assim, músicos, pintores, escultores, arquitetos, poetas e ensaístas, em meio a leituras de poesia, discursos, concertos, recitais, exposições, contribuíram para incendiar a cultura brasileira do início do século XX.

Tomando como ponto de partida a Semana de 22, costuma-se dividir didaticamente o movimento modernista brasileiro em três fases: de 1922 a 1930 temos a fase de implantação do movimento; de 1930 a 1945, a de consolidação; de 1945 em diante, a fase pós-modernista ou de “fragmentação” do movimento.

Influenciados pelo espírito contestador da Semana de 22, nossos primeiros modernistas fundaram revistas, escreveram manifestos, propuseram teorias estéticas. Não houve uniformidade entre as muitas propostas que surgiram, mas é possível apontar as seguintes características como as mais relevantes desse primeiro tempo: coloquialismo, prosaísmo, versilibrismo, nacionalismo crítico, síntese, humor. Os nomes mais importantes nessa fase foram Oswald de Andrade (1890-1954), Mário de Andrade (1893-1945) e Manuel Bandeira (1886-1968).

Mário de Andrade foi o grande ativista político-cultural do Modernismo, tendo feito de tudo um pouco: romance, poesia, crítica, conto, ensaio. Sua obra sugere que ele buscava as novidades artísticas da mesma forma que demonstrava conhecer as tradições literárias, o que confirma seu ecletismo cultural e artístico. As duas paixões de Mário foram a cidade de São Paulo e o Brasil. Pauliceia desvairada (1922), por exemplo, tematiza São Paulo; Macunaíma (1928), o Brasil.

Em Macunaíma, o narrador vai apresentando lendas folclóricas revisitadas e misturando gêneros literários, ao mesmo tempo que o protagonista, “o herói sem nenhum caráter”, é a representação de um povo ainda sem características próprias definidas, de um país em busca de sua identidade.

Diálogos do moderno

Vanguardas europeias:  No início do século XX, acentuaram-se as disputas políticas entre as nações europeias. Rivalidades locais e a concorrência por matérias-primas e mercados consumidores em outros continentes levaram à Primeira Guerra Mundial, que vitimou quase 20 milhões de pessoas.
Desde o final do século XIX, a arte vinha sendo renovada por experiências estéticas surpreendentes e desconcertantes, que promoviam alterações significativas nos padrões então vigentes.
Em 1907, surgiu o Cubismo, cuja proposta de ruptura radical com os conceitos de proporção e perspectiva exigia um público participativo, comprometido com a tarefa de reconstrução dos sentidos das imagens.
O Futurismo, nascido dois anos depois, valeu-se de uma arte agressiva para provocar público.
O Expressionismo, de 1910 retratou o declínio do mundo burguês, assumindo uma função politicamente combativa. Representava a realidade de maneira deformada.
O Dadaísmo, criado em 1916, usou a falta de significado como crítica radical à sociedade. Propunha a abolição da lógica. Os dadaístas consideravam a arte uma manifestação hipócrita em tempos de guerra.
A última vanguarda, o Surrealismo, surgiu após a Primeira Guerra, em 1924. Valorizavam a arte primitiva e procuraram libertar o indivíduo dos limites da vida prática.

A Literatura: As vanguardas caracterizavam-se pelo confronto com as estéticas tradicionais.